
Esses dias, fiquei tão feliz ao ver que ainda existe bondade, principalmente em lugar onde muitos pensam não existir mais a educação e a ética: o ônibus.
Estava sentada em um banco próximo à janela e havia um lugar vazio ao meu lado. Entrou um pai, com uma criança no colo e uma de mais ou menos 4 anos ao seu lado. Ele se sentou no banco vago e a menina mais velha ficou de pé, no corredor. Cedi meu assento para que a criança pudesse ficar confortavel e em segurança ao lado do pai. Mas não é isso que queria dizer.
Fui para o lugar reservado a cadeira de rodas, e um rapaz estava sentado no lugar reservado ao acompanhante do portador de necessidades especiais (livre a todos na ausência deste). Este ofereceu-se para carragar meus livros, mas regeitei, afinal , não estavam tão pesados assim, e ele estava lendo, não quis incomodar.
Foi quando uma mãe subiu no ônibus, com duas garotinhas. Uma de uns 3 anos, e outra um pouco mais velha, portadora de sindrome de down. Vamos chamálas de A e B, sucessivamente. A mãe passou B por cima da catraca, e passaria com A no colo. Falou para B: "Segure-se", mas a menina não o fez com muita firmeza, então uma senhora que estava sentada segurou carinhosamente, porém firme, o braço da menina e a mãe pode tranquilizar-se e entrar com segurança. E sentou-se, com as duas meninas confortavelmente.
Quando eu havia arrumado um outro lugar para mim, estava alheia em meus pensamentos, quando percebi uma gritaria: "Peraí, motorista!". Olhei e então percebi o que se passava. A mãe das meninas A e B estava desembarcando e, com a limitação de seus braços, juntamente com a muvuca que é habitual em tal transporte coletivo, e decera apenas com A no colo, e B ainda estava ali, em pé perto da porta, sem saber o que fazer, mas sempre sorrindo, com seus olhinhos inocentes brilhando. Então todos os passageiros que estavam próximos, inclusive a senhora de antes, levantaram-se, avisaram o motorista e entregaram a criança a mãe, uma pessoa de cada lado, segurando em seus bracinhos.
Isso me comoveu, porque, há pouco, estávamos discutindo, na aula de Etiqueta, que em tais transportes não há um pingo de civilidade, e não foi isso que vivenciei. Essa união em prol do necessitado, a piedade e a solidariedade que se afloram quando menos esperamos... E isso realmente é raro.